O dia em que São Paulo parou

Ontem fui a São Paulo. Fui buscar fusíveis de válvula. Aposto que quase ninguém sabe que válvula tem fusível. Eu não sabia!

Pois bem, fui pois era urgente e necessário, meu chefe precisava dos fusíveis, e qualquer transportadora só poderia entregá-lo na sexta, devido ao feriado de hoje. Pois bem, alguém tinha que ir buscar os benditos fusíveis, e quem foi o bucha escolhido? Moi.

Bem, ir a São Paulo não é tão difícil, afinal ia pegar um avião para ir, outro para voltar, saindo cedo chegaria de volta no Rio por volta de meio-dia. Até chegar em Caxias mais 40 minutos, uma hora, ia ficar até as 16:30 e depois começava o feriado. se estivesse disposto ainda ia ao jogo da Copa do Brasil, Fluminense e Ceará.

Saí de casa às 6:00 da matina, e me dirigi ao Santos Dummont. O primeiro vôo da Gol disponível para São Paulo era às 8:40. Que bosta, tinha ainda que esperar no aeroporto pelo menos mais 2 horas. Se corresse e desse tudocertomeu cronograma ia atrasar mais ou menos uma hora.

Só que São Pedro não colaborou. Devido às chuvas no Rio e em São Paulo meu vôo só saiu às 11:00. Meio dia estava em SP. E SP estava alagada. O Taxista me avisou que a fábrica aonde eu devia buscar os fusíveis, em Água Branca, era pertinho de uma ponte onde o Rio transbordou. Fiquei preocupado com o trãnsito, mas que nada! Chegamos lá em 20 minutos, acho que todos ficaram com medo de ir para aqueles lados. Às 12:40 lá estava eu, tocando a campainha da fábrica. Agora era pegaros fusíveis, entrar de novo no taxi e voltar para casa. Ledo engano.

Os fusíveis ainda não estavam prontos. A chuva tinha alagado a fábrica, e só 30% dos funcionários conseguiram chegar no trabalho. Caramba, eu, do Rio de Janeiro, cheguei na bosta da fábrica, mas os funcionários não conseguiram! Às 15:00 me entregaram os fusíveis prometidos para as 9:00 da manhã.

Vamos para o aeroporto, cronograma jogado no lixo,vou acabar chegando no Rio lá pelas 17:00, 17:30. Sem trãnsito (medo da chuva eu acho) chego no aeroporto em meia hora. Vou atrás do guichê da Gol, e vejo uma fila imensa. Entro na fila e penso comigo mesmo: Agora é só ter paciência e já já estou em casa…

Inocência minha. Último feriado prolongado do ano, São Paulo em peso querendo viajar. Consigo passagem para o galeão no vôo de 18:50. Para o Santos Dummont só às 19:30.

Tomo um café, leio uma revista, espero, espero, espero, vou para a sala de embarque. LOTADA. Um calor insuportável, não há lugar para sentar. Parece a rodoviária novo Rio, terminal para Cabo Frio, véspera de Carnaval. No portão de embarque 14 apenas uma indicação de um vôo para Brasília. Meu vôo estava atrasado.

Minhas pernas doíam de tanto ficar em pé, cheio de fome, irritado, cansado, me sentindo sujo, começo a amaldiçoar minha viagem. Vida de mula de fusível de válvula é dose!

Meu avião decolou às 21:30. Cheguei no Rio, peguei um taxi, liguei pro chefe, entreguei a ele os malditos fusíveis, e piquei pra casa. Entrei pela soleira da porta eram exatas 23:00.

Liguei a TV para assistir o que faltava do jogo do Flusão em São Januário. Eram 19 minutos do segundo tempo, e havia um penalti a favor do Fluminense. Sentei no sofá, e gol de Gabriel. Beleza, 2 x 0 Fluzão, vantagem boa pro jogo de volta. Pelo menos isso! Esse dia de cão tinha que ser redimido por uma bom placar! Outra vez me dou mal. Vou tomar um banho e quando volto o Ceará tinha empatado.

No jornal da Globo descubro que São Paulo fora vítima do maior temporal nos últimos trinta anos, e que a cidade parou por causa das enchentes. Parece que só eu mesmo para ter que me aventurar neste dia triste e caótico para São Paulo.

Fui dormir, afinal, depois de um dia desses, melhor dormir e acordar no dia seguinte…

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