A volta para casa

A volta para casa da boate no sábado foi interessante. Precisando passar pelo túnel para ir em direção à Barra, os amigos informaram que deveríamos ter cuidado. Um tiroteio na Rocinha estava impedindo a passagem de carros no início da noite. Como eram 2:00 da manhã, resolvi ligar para a Polícia Militar no 190, para saber se estava seguro passar pelo túnel. Atendia o telefone uma voz metálica que dizia: “- Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, este serviço está temporariamente indisponível. ” Mas que incrível! O número de emergência da Polícia indisonível!

Resolvemos então procurar um policial a quem perguntar sobre a segurança do trajeto. Saímos da Praça Nossa Senhora da Paz e fomos para a praia. Seguimos a orla toda e nada de policiais. Um carro da polícia sem ninguém, cabines da PM, uma com as luzes apagadas, vazias. Indecisos sobre seguir pelo túnel ou pela Av. Niemeyer, seguimos em direção a Ipanema pelo Leblon, na tentativa de encontrar alguém da PM. Ninguém. Resolvo ligar para o 190 de novo. Desta vez me atenderam, exatos 15 minutos depois da primeira ligação. Sem pressa… Afinal, o que são 15 minutos para a emergência da polícia? O atendente, muito simpático, ao ouvir minha pergunta, grita para o outro:” Aí, o túnel já tá liberado? Xi… Ainda não? Meu senhor, siga pela Niemeyer, o túnel ainda está com problemas…”

Seguimos então pela orla, que estava, entre S. Conrado e Leblon, cheia de policiais. Vários carros parados e pessoas apresentando documentação. Ao encontrar a primeira viatura perguntamos ao policial se estava tranquilo e disse que sim e seguimos em frente. Decidimos fazer o caminho pela praia de S. Conrado para evitar passar na frente da Rocinha, e ao chegar no retorno víamos ao longe ainda uma confusão de carros de polícia com as luzes piscando… Chegamos em casa tranquilos uns 20 minutos depois.

No dia seguinte os jornais relatavam confrontos que duraram algumas horas, até perto de meia-noite. Mas a sensação de insegurança persistiu pela madrugada. Me pergunto quantas pessoas não tenham sido avisadas da situação e se depararam com o caos na saída do túnel. Uma pena que uma cidade tão maravilhosa esteja vivendo um crise de segurança tão profunda. É como viver um inferno no paraíso.

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