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Archive for November, 1999

Novo emprego

November 29th, 1999 Camelo Comments off

Ok. Consegui um novo emprego. Não é o que eu queria para mim, mas é o fim do desemprego. Será que isso é bom? Com toda a certeza é bom para o meu bolso, para poder pagar minhas dívidas, para poder ir para frente. Mas não posso parar de procurar emprego. As razões são muitas, mas principalmente as duas seguintes: O trabalho é temporário, não dura mais de seis meses. E eu odeio o ambiente de trabalho. Na minha sala há outras pessoas comigo, que parecem pouquíssimo dispostas a dar uma ajuda a quem está começando e menos dispostas ainda a trabalhar direito.

Eu não sou a pessoa mais indicada para falar de organização, mas posso garantir para quem quiser que os custos aqui poderiam ser reduzidos em pelo menos 30% com mais organização. A quantidade de papel inútil, compras repetidas, telefonemas disperdiçados é incrível. A má vontade no meu setor impera. Ninguém fala mais do que o extritamente nescessário. E muitas vezes nem mesmo o nescessário é dito.

Não acuso os meus colegas de não trabalhar, acho até que trabalham muito. Mas a impressão que tenho depois de uma semana de trabalho é de que o trabalho é pouco produtivo e eficiente. Os setores que deveriam trabalhar juntos tem pouco entrosamento, a informatização é precária, não por falta de equipamentos, mas por falta de sistemas integrados. Ou melhor, os sistemas integrados são muito mal utilizados, quando o são.

Mas o pior de tudo é o sentimento de frustração. Sinto-me frustrado por não poder pensar. Fui treinado a pensar a vida inteira, treinado a achar soluções criativas ou metodológicas para problemas complexos. Hoje me encontro de frente de um sistema de engrenagens enferrujadas, sobre o qual não tenho nenhuma inger̂ência, emperrado por uma burocracia estúpida, mal calibrado, muito aquém da sua capacidade produtiva. É a visão do inferno para qualquer administrador. E olha que eu sou economista.

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Uma felicidade e uma tristeza

November 29th, 1999 Camelo Comments off

Hoje, de forma inesperada, sem pretensões, resolvi procurar por um velho amigo nas ondas da grande rede. E após nove anos, finalmente consegui seu e-mail ao surfar na web. E acho que descobri também o quanto algumas vezes, coisas pequenas para no podem se transformar em alegrias incomensuráveis para outros.

Este amigo estava catalogado em um site para praticantes de Origami, a arte japonesa de dobrar papel. Eu vi algumas fotos de origamis que este amigo fez e que estão na web. O que mais me impressionou foi a qualidade de seus trabalhos, na simplicidade do papel dobrado. Mãos delicadas, pensaria a maioria das pessoas. Mas não. So mãos de um homem que cresceu no frio das montanhas, tendo que fazer trabalhos pesados para ajudar a família a sobreviver. Mas capazes de fazer verdadeira mágica com um simples pedaço de papel.

Há exatos 11 anos, quando o conheci, ele estava dando os primeiros passos no Origami. Eu tinha praticado um pouco quando criança, era uma maneira da professora nos manter calmos, no primário. Vendo o interesse dele no assunto, de pronto lhe ofereci alguns livros japoneses de origami, que tinha ganhado de minha mãe ainda garoto. Para mim não eram mais de serventia. Para ele parece que foi o primeiro passo de um grande aprendizado: Porque o Origami, como muita das coisas que vem do Oriente, demandam paciência e dedicação impar para que se alcancem resultados que vão alem de um simples tsuru. E ele, pelos trabalhos que vi, me parece ser já mestre.

Me enche de alegria tê-lo reencontrado, ainda que não tenha ainda falado ou escrito a ele.

A tristeza vem da distãncia e do tempo que perdemos e em que poderíamos ter estado juntos, dois velhos amigos. Tão diferentes, e tão irmanados.

Mesmo que ele não saiba que estou aqui, longe, vendo seu trabalho, posso esperar do fundo do meu coração que ele tenha muito sucesso, e que tenha o máximo de momentos felizes em sua vida!

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