Para-r�io de Maluco!
Aqueles que me conhecem sabe que eu sempre fui um excepcional pára-ráio de malucos. Parece que até em Angola essa minha característica se mantem ativa. Outro dia vi no restaurante do Residence, um Angolano branco, o primeiro! E ontem, durante a janta o cara começou a puxar papo comigo e com o colega italiano na mesa. Não fomos mal-educados, e deixamos o tipo falar. Engatou a terceira e começou a falar da Angola da sua infãncia, de antes da independência. Era português, mas fora para angola aos 2 anos de idade, e se considerava angolano. Era um nostálgico. Eu e meu amigo praticamente não falamos nada, ficamos no hum-hum, claro, sei… E o homem disparou a falar de Salazar, que era tão bom, que o Partido Comunista Português era o grande “culpado” pela independência de Angola. Falava de Luanda de quando era a cidade mais euroéia da Ãfrica, o que foi verdade, mas já se vão 30 anos!
Em um ambiente só de negros, sendo nós três os únicos brancos, começou a dizer que não era racista, mas intercortava sempre suas frases com conteúdos que diziam do tipo : “Não fossem os negros tomar o poder e Angola seria o Brasil da Ãfrica…”. Não é o racismo que nós no Brasil conhecemos, onde há quem acredite realmente que há raça melhor que outra. É algo mais sutil, como que a consciência de sermos todos iguais, mas mesmo assim ter raiva dos negros, por considerar que com a independência “roubaram” os bens dos portugueses em Angola.
Não entro no mérito de quem está certo ou errado, não é minha pretensão em uma semana entender um país tão complicado! E sei lá, esse lugar é novo pra mim, não quero saber de política, só vai me botar em saia justa! Mas o problema era o cara falando na nossa orelha. Depois de uns 10 minutos de conversa eu pedi licença, o italiano se juntou a mim e vazamos. O cara ainda quiz marcar pra continuar a conversa no sábado… Acho que foi a primeira vez que fiquei contente de trabalhar no sábado!
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